domingo, 15 de maio de 2011

O Camafeu


Soprava o vento lá fora, os poucos vidros que restavam suspensos da caixilharia de uma das janelas da casa, pareciam estremecer de frio com cada novo sopro do vento, ou talvez com medo de acabar como mais um escombro daquele lugar perdido entre eucaliptos, pinheiros e alguma palmeira exótica trazida doutro clima por algum emigrante que crescia resignada entre estranhos. Nesses tempos, éramos poucos os que ainda vivíamos aqui depois do incêndio do grande hotel do qual só tinha sobrevivido o palco da música, a gente tinha decidido esquecer...

Só uns quantos velhos nostálgicos e eu, um lobo solitário, vagueávamos neste lugar. Nessa tarde de tempestade estava a passear sob o meu guarda-chuva entre o entulho de sonhos frustados, pisando com raiva as folhas que se estendiam a meus pés, como um entardecer de verão e ouvindo o seu estalar. De repente senti algo duro sob a sola da minha bota, instintivamente baixei-me, e, com a ponta dos meus dedos toquei algo belíssimo, puro, pude sentir a sua magia, algo intenso, uma sensação única, o mesmo que um explorador a descobrir um sarcófago. Era um camafeu de marfim atravessado por uma estrela de prata velha e com uma pérola sem brilho num dos extremos. Desde a infância não tinha visto nada assim, parecido com os que costumavam usar as mulheres estrangeiras dos emigrantes que regressaram enriquecidos da diáspora. Recordo a minha mãe quando cozinhava para uma destas senhoras, dizia-me que, à noite, praticavam rituais estranhos para falar com os seus antepassados e parentes crioulos, envolvidas por uma atmosfera carregada de odores de erva molhada e de almíscar. Por isso pensei um pouco antes de levantar a bisagra corroída que o mantinha fechado porque podia guardar um mal olhado ou uma maldição... mas não pensei muito mais porque um ruído que vinha de uns arbustos tirou-me da minha cisma... Guardei o medalhão ainda fechado no bolso, fechei o meu guarda chuva de xadrez e com passo rápido fui para casa.

Ao chegar, a primeira coisa que fiz foi pôr-me cómodo, vesti o pijama de flanela para que me protegesse do frio intenso e sentei-me no cadeirão que está ao lado da lareira. Depois de passar uns momentos acariciando o relicário, decidi dar o passo que faltava e abri-lo. Assim que levantei o fecho, o sol colou-se às cortinas da sala iluminando-a e inundando o lugar de uma côr extraordinária que me cegava. Dando um passo até à janela pousei os meus olhos no sol que agora luzia entre os restos da tempestade como a polpa de uma romã madura, e, ainda que fechando a cortina, o sol continuou a colorir a sala de âmbar. Finalmente, já impaciente devido às contínuas interrupções, levantei a tampa e o que vi seria a última que esperava ver, nada, nada de nada, o camafeu estava vazio, nem um retrato, nem uns cabelos, nem os ponteiros parados de um relógio, nada. O que via era uma superfície de nácar irisado que toquei instantaneamente e que sob o reflexo daquela luz, brilhava como se fosse ouro. Ao fazê-lo, imagens de desespero, de sonhos desfeitos, de pena e impotência invadiram-me. Prantos, muitos prantos, e gritos, e de fundo, música de violinos e flautas que se tornava mais aguda e mais aguda... Era tanto o mau estar causado por aquela melodia cada vez mais rápida e penetrante, acompanhada por aquelas terríveis imagens, que soltei a medalha, deixando-a cair ao chão e sentei-me no meu cadeirão com a cabeça para trás. Estive assim vários minutos até ter coragem de enfrentar aquele objecto. Depois de reflectir um tempo, decidi que era melhor guardar a jóia e não voltar a tocá-la. Passado alguns dias, fruto da atracção que exercia sobre mim, abri-o novamente mas, para minha surpresa, onde antes havia nácar, só havia uma supefície lisa e negra. Decidi que o melhor seria vender a jóia, embrulhei-a em papel de jornal, amarrei o embrulho tosco com uma corda velha e meti-o no bolso do casaco, mas ao sair de casa tudo havia mudado, no lugar dos escombros calcinados do velho hotel erguia-se um majestoso edifício do qual saía gente muito elegante e famílias sorridentes, a margem do rio estava cheia de famílias que brincavam na água e os anciãos caminhavam pelos passeios cumprimentando-se. Não entendia o que se estava a passar, porquê tanta animação na cidade? Reparei que tudo o que via se tinha tingido da mesma côr que tinha visto havia alguns dias no nácar. Como se de um pergaminho ou de um retrato antigo se tratasse, tudo tinha tons de sépia que davam ao ambiente uma aparência de recordação. Pestanejei e quando abri os olhos, tudo era normal, tudo menos uma coisa, o nó da corda com que tinha atado o medalhão estava desfeito, ao abrir o embrulho, reparei que o camafeu estava aberto, e quando o quis fechar algo me impediu, a superfície do que eu supunha ser azeviche, tinha adquirido relevo e nele podia apreciar a cara de uma velha de rosto sulcado pelo tempo, de cabelo branco como tingido de flocos de neve e tão comprido que não cabia na reduzida superfície. Na sua cabeça repousava o vento encolhido e ao redor do seu pescoço havia amoras doces e morangos silvestres, e folhas secas, e penas e ramos. O seu sorriso era uma torrente de água fresca e no seu olhar via uma luz mágica que baixava da abóbada celeste e, dividindo-se em cores infinitas, penetrava o oceano e dele saia chocando com a concha esmaltada de um caracol. Nunca tinha visto olhar tão bonito, irradiava ternura, sabedoria e uma gotas de tristeza. Absorto nesta imagem, introduzi a ponta dos meus dedos na pedra como quem acaricia o seu cabelo sem despertar o vento que descansava nele como se fosse um ninho de pássaro. A anciã falou-me sem dizer nada, fez entrar em mim a sua mensagem e desvaneceu-se.

Agora eu sabia aquilo em que muito poucos acreditariam, sabia o segredo para devolver áquela terra a sua alma, o seu espírito, a sua alegria, o seu bulício.

A solução estava sob as velhas tábuas de madeira corroida do palco de música. Tinha sobrevivido ao impassível exército do fogo e, debaixo desse cenário de madeira que desfiz com facilidade, pude ver que algo palpitava com ritmo constante nas entranhas da terra. Cravei o camafeu no centro do círculo que formava o palacete e, nesse mesmo instante, um manancial de água brotou do chão libertando centenas de bolbulhas que continham os sonhos perdidos de tanta e tanta gente, os seus esforços, as suas lágrimas... dispersaram-se com o vento que polonizou todos os cantos da cidade. A música voltou a tocar, violinos e flautas, mas desta vez uma melodia de esperança, que acariciava as folhas das árvores.

Radica-se nesse canto o segredo desta cidade, na sua fonte onde se dissolvem sonhos e alegrias, memórias e tristezas: almas.

Nunca mais soube do camafeu, não sei onde o levaram as águas, espero que tenha sido levado a outra aldeia ou cidade, que esteja onde alguém necessite recuperar a ilusão.

sábado, 14 de maio de 2011

hoje descobri....

   Vinha caminhando da casa da minha vô, olhando para o céu, e perguntei esperando que Deus mim respondece, triste do que to vivendo, perguntei! se o senhor existe mim manda apenas um sinal e nada mas...continuei caminhando a procura de alguma coisa que eu podece ver se ele mim mandace um sinal , sem um pouco de vontade de chegar em casa, tava esperando o que pedi, no caminho encontrei três homens tentando colocar para funcionar um carro a beira da pista, logo pensei! pronto senhor se estiver mim ouvindo mim mostra que estar ao meu lado e que nunca saiu de dentro de mim, este é um bom motivo para o senhor mim mandar toda a verdade, que já sei e que só falta comprovar...
   Quando estava bem pertinho de passar do carro,quase sem esperanças, o homem foi tentar ligar o carro,aonde nem tava conseguindo antes, ele conseguil, e ai sim percebi que nunca mas vou sair de perto do teu nome da tua palavra do teu conforto...háhá e obrigadaaa por ter mim respondido....te amo senho...

quarta-feira, 11 de maio de 2011

decepções!!

como fugir de coisas absurdas que acontece em minha vida, um dia parece que tudo estar bem,mas no dia que estar por vir sempre vem uma decepsão, seja com minha família, minhas amigas(os), e principalmente com alguém que se tornou para mim, o meu grande amo...







As decepções, as derrotas, o desânimo são ferramentas que Deus utiliza para mostrar a estrada.(paulo coelho).

sei que tudo que é bom nos doi,e como sempre de uma maneira que é bem dificil de superar, por que não tudo poderia ser legal, de tal forma cheia de amor em todos os corações, sem que ninguém se quer pense em machucar alguém...
sempre busquei apenas só a felicidade, para mim nada importa mais, o tempo passa, iai?! to sempre do mesmo geito , nossa só queria um pouco de amor...
bastaria só mas uma chance, só mas uma, e não pesso nada a mais!!



"Correndo o risco do fracasso,das decepções,das desilusões,mas nunca deixando de buscar o amor.
Quem não desistir da busca,vencerá!"

(paulo coelho)..
 passei todos os momentos de minha vida amando,mas iai cadê a minha sorte,minha alegria de viver +++ e +++...

"Quando já não há pelo que lutar, não há nada a fazer a não ser desistir.
Quando as decepções são tão fortes, já não se consegue acreditar.
Quando lembranças atormentam, não há como fugir.
Quando não se chega aonde se deseja, não há como não desanimar.
Fingir alegria é fácil, mas só à noite em seu quarto você sabe porquê chora.
Você pode fazer mil esforços para ser compreendido, mas no fundo só você consegue se entender exatamente.
Só você conhece os seus traumas e os seus medos.
Só você sabe pelo que já passou.
Mas a solidão é inerente ao ser humano, por mais que muitos a neguem.
O problema maior é quando você não consegue saber se Deus ainda te ouve.
É quando sorrir se torna apenas o caminho mais fácil para não precisar explicar a ninguém o que nem você entende.
É quando o ânimo já se predeu e o futuro parece distante demais.
É quando você já não sabe se acredita em você."
(autor desconhecido)







o que mim resta é esperar o que estar por vir!
venha o que vier,esperando as dores ou a alegria...
só te espero senhor o momento do senho se erguer para mim,talvez só seja uma só ++ lagrimas caida, seja o que for...

terça-feira, 10 de maio de 2011

abrir os braços!!

quando tudo estar caindo na nossa cabeça,quando dar vontade de deixar todos os nossos sonhos, quando percebemos que somos fracos, como se a permanência de uma pessoa em nossas vidas seja em qualquer espera de relacionamento de uma amizade ou apenas de um abraço no momento que simples lagrimas cai de nos , por saber que nem todos partilham a mesma felicidade, por ver as coisas a qual preferia não enxergar, por acreditar em pessoas a qual não deveriamos, por ver sonhos afundados,por fazer pessoas que amamos sofrerem, por sofrer por pessoas que amamos, por ter medo do que estar por vir, por amar o passado mesmo tendo muitos motivos para se quer lembrá-los....


todos nos temos o direito de ficarmos tristes mais não de passarmos para outros,"por que a felicidade de um tem que ser a tristeza de outro?!sei bem que ficar triste é humano,mais temos que saber que a tristeza não faz parte da felicidade da vida, e que tudo ta passando tão mais tão depressa que estamos gastando todos os momento que Deus nos deu com tanto amor, com besteiras coisas passageiras inuteis...


talvez se gastarmos um pouco desse tempo abrindo os braços para a felicidade o amor a amizade,hahaha que tal resumindo tudo de bom...a felicidade aguardam aqueles que choram..aqueles que sofrem aqueles que buscam, por que só essas pessoas podem apreciar a importancia daqueles que tem deixado marcas em sua vida...




BASTA APENAS DE PERCEBERMOS QUE FELICIDADE É TUDO!!

domingo, 8 de maio de 2011

"Dia das mães"!!

MÃES!!


nossa uma palavra tão forte e emocionante, não só mãe mas sim nossa motorista,cozinheira,lutadora de giogitso, nossa rainha,haha e nossa super heroina, já pensou de nossas mães estar vistida de mulher maravilha...- às Mães que apesar das canseiras, dores e trabalhos, sorriem e riem, felizes, com os filhos amados ao peito, ao colo ou em seu redor; e às que choram, doridas e inconsoláveis, a sua perda física, ou os vêem “perder-se” nos perigos inúmeros da sociedade violenta e desumana em que vivemos;
- às Mães ainda meninas, e às menos jovens, que contra ventos e marés, ultrapassando dificuldades de toda a ordem, têm a valentia de assumir uma gravidez - talvez inoportuna e indesejada – por saberem que a Vida é sempre um Bem Maior e um Dom que não se discute e, muito menos, quando se trata de um filho seu, pequeno ser frágil e indefeso que lhe foi confiado;
- às Mães que souberam sacrificar uma talvez brilhante carreira profissional, para darem prioridade à maternidade e à educação dos seus filhos e às que, quantas vezes precisamente por amor aos filhos, souberam ser firmes e educadoras, dizendo um “não” oportuno e salvador a muitos dos caprichos dos seus filhos adolescentes; 

- às Mães precocemente envelhecidas, gastas e doentes, tantas vezes esquecidas de si mesmas e que hoje se sentem mais tristes e magoadas, talvez por não terem um filho que se lembre delas, de as abraçar e beijar...;
- às Mães solitárias, paradas no tempo, não visitadas, não desejadas, e hoje abandonadas num qualquer quarto, num qualquer lar, na cidade ou no campo, e que talvez não tenham hoje, nem uma pessoa amiga que lhes leia ao menos uma carta dum filho...;
- também às Mães que não tendo dado à luz fisicamente, são Mães pelo coração e pelo espírito, pela generosidade e abnegação, para tantos que por mil razões não tiveram outra Mãe...e finalmente, também às Mães queridíssimas que já partiram deste mundo e que por certo repousam já num céu merecido e conquistado a pulso e sacrifício...
A todas as Mães, a todas sem excepção, um Abraço e um Beijo cheios de simpatia e de ternura! E Parabéns, mesmo que ninguém mais vos felicite! E Obrigado, mesmo que ninguém mais vos agradeça! 







Obrigado , Senhor , pela mãe que você me deu ...
... por todas as Mães do mundo
... pelas mães brancas , de pele alvinha ...
... pelas pardas , morenas ou bem pretinhas ...
... pelas ricas e pelas pobrezinhas ...
... pelas mães - titias , pelas mães -vovós , pelas madrastas -mães ,
... pelas professoras - mães ...
... pela mãe que embala ao colo o filho que não é seu ...
... pela saudade querida da mãe que já partiu ...
... pelo amor latente em todas as mulheres , que
desperta ao sentir desabrochar em si uma nova vida ...
... pelo amor , maravilhoso amor que une mães e filhos ...
Eu lhe agradeço , Senhor !

Autor desconhecido

 
Em nossa infância de sonhos,
- com a magia do amor
é Fada que mostra a vida
sem os espinhos da dor.

E quando, na mocidade,

trilhamos grandes desertos,
é Estrela de luz amiga
guiando os passos incertos.

E no fim, desiludidos,

sem esperança e ninguém,
é Saudade que nos lembra:
- fomos felizes também!

(Gonçalves Ribeiro)
   te amoooo mãe!!